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Audiovisual e Inovação

Como formar jovens para profissões que ainda estão mudando?

Por IPCOM

Social media, criador de conteúdo, gestor de tráfego, especialista em inteligência artificial, designer de experiência do usuário. Algumas dessas ocupações ganharam espaço no mercado de trabalho há poucos anos; outras continuam mudando conforme surgem novas tecnologias, plataformas e formas de produzir e consumir informação.

Para quem está começando a pensar na vida profissional, esse cenário traz uma questão importante: como se preparar para um mercado em que ferramentas, atividades e até profissões podem se transformar em poucos anos?

A resposta passa por acompanhar as tecnologias, mas também por desenvolver conhecimentos e habilidades que possam ser utilizados em diferentes contextos profissionais.

Um mercado de trabalho em transformação

A velocidade dessas mudanças já aparece nas pesquisas sobre o futuro do trabalho.

O Future of Jobs Report 2025, produzido pelo Fórum Econômico Mundial a partir de informações de mais de mil empresas, estima que cerca de 39% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar até 2030. Entre as competências com crescimento mais acelerado estão aquelas relacionadas à inteligência artificial, big data e domínio tecnológico. Ao mesmo tempo, pensamento criativo, flexibilidade, colaboração e capacidade de adaptação seguem entre as habilidades consideradas importantes pelos empregadores.

As mudanças também atingem ocupações que já existem. A inteligência artificial pode modificar a maneira como um jornalista pesquisa uma pauta, um designer desenvolve uma peça, um profissional de comunicação planeja uma campanha ou um pequeno empreendedor divulga seu negócio.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que as transições digital e ambiental têm potencial para criar oportunidades de trabalho em diferentes níveis de qualificação, com ganhos particularmente relevantes para os jovens. Para que essas oportunidades sejam aproveitadas, porém, a organização destaca a importância da qualificação e da atualização de competências ao longo da trajetória profissional.

Aprender a utilizar uma ferramenta específica continua sendo útil, mas é preciso compreender processos, experimentar diferentes recursos e desenvolver autonomia para acompanhar suas transformações.

Competências que atravessam diferentes profissões

Pesquisar uma informação, avaliar se uma fonte é confiável, organizar ideias, resolver um problema, trabalhar em equipe e comunicar algo com clareza são habilidades aplicáveis a muitas áreas.

Na comunicação e no audiovisual, é possível perceber essa combinação de maneira bastante concreta.

Produzir um vídeo começa muito antes de ligar uma câmera. É preciso compreender o assunto, pesquisar, selecionar informações, definir para quem aquele conteúdo será produzido, construir uma pauta, organizar uma narrativa e escolher a linguagem adequada. Depois vêm gravação, edição, publicação e análise da resposta do público.

Nesse percurso, diferentes competências são exercitadas ao mesmo tempo.

Essa perspectiva ajuda a pensar a formação profissional em um cenário no qual uma pessoa provavelmente terá contato com diferentes ferramentas, funções e formas de trabalho ao longo da vida. Saber aprender, pesquisar e aplicar novos conhecimentos passa a ter peso semelhante ao domínio de uma plataforma específica.

Inteligência artificial exige também senso crítico

A popularização da inteligência artificial tornou essa discussão ainda mais evidente.

Ferramentas de IA já podem auxiliar na pesquisa, organização de informações, elaboração de textos, criação de imagens, edição de vídeos e inúmeras outras tarefas. Aprender a utilizá-las pode ampliar as possibilidades de atuação profissional dos jovens, desde que seu uso venha acompanhado da capacidade de avaliar aquilo que a tecnologia produz.

Uma resposta gerada por inteligência artificial pode conter erros. Uma informação precisa ser verificada. Uma sugestão de roteiro pode ser um ponto de partida, mas ainda exige decisões sobre linguagem, público, contexto e objetivo.

Por isso, a familiaridade com tecnologia precisa caminhar junto com pesquisa, interpretação, criatividade e leitura crítica da informação.

Essa discussão ganha importância quando observamos o quanto as plataformas digitais já fazem parte da vida dos adolescentes brasileiros. A pesquisa TIC Kids Online Brasil, realizada pelo Cetic.br|NIC.br, investiga tanto as atividades realizadas na Internet quanto as habilidades digitais de crianças e adolescentes, incluindo produção e compartilhamento de conteúdo e aspectos críticos do uso da rede.

Em 2024, 60% dos usuários de Internet entre 9 e 17 anos acessavam o Instagram várias vezes ao dia ou todos ou quase todos os dias. No TikTok, essa proporção chegava a 50%, e no YouTube, a 66%.

A presença cotidiana nesses ambientes cria familiaridade com as plataformas, mas isso é diferente de compreender como utilizá-las para pesquisar, produzir, comunicar e trabalhar.

Aprender fazendo

Uma das formas de desenvolver essas competências é aproximar a formação de situações concretas.

Oficinas, projetos, cursos livres e outras experiências de educação não formal permitem que os jovens experimentem atividades, desenvolvam projetos e encontrem soluções para problemas reais. Em vez de conhecer uma ferramenta de maneira isolada, eles podem entender como ela participa de um processo completo.

Na produção audiovisual, por exemplo, uma turma pode começar identificando histórias em seu território, pesquisar os assuntos escolhidos, entrevistar pessoas, produzir roteiros, gravar, editar e publicar os materiais.

O resultado final é importante, mas o percurso também tem valor formativo. Cada etapa exige escolhas, organização, colaboração e capacidade de lidar com imprevistos.

Experiências desse tipo também permitem que os jovens conheçam áreas profissionais com as quais talvez ainda não tenham tido contato. Ao produzir um projeto, um participante pode descobrir interesse por roteiro; outro, por edição; outro pode se identificar com fotografia, apresentação, pesquisa, design ou planejamento de conteúdo.

Formação também é uma questão de oportunidade

Falar sobre preparação para o trabalho exige considerar que os jovens brasileiros chegam a esse momento em condições bastante diferentes.

Em 2025, 17,5% dos brasileiros entre 15 e 29 anos não trabalhavam, não estudavam nem se qualificavam, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O indicador representa uma parcela relevante da juventude brasileira.

As desigualdades também aparecem nas trajetórias educacionais. Dados referentes a 2024 mostram que, entre os homens de 15 a 29 anos que haviam interrompido os estudos antes de concluir o Ensino Médio, a necessidade de trabalhar foi apontada por 53,5% como principal motivo para não frequentar a escola. Entre as mulheres, gravidez e responsabilidades domésticas e de cuidado, somadas, foram o principal motivo para 38,2%.

Criar oportunidades de formação acessíveis, portanto, também significa ampliar caminhos para empregabilidade e geração de renda, especialmente entre jovens que encontram menos oportunidades de qualificação.

Comunicação e audiovisual podem participar desse processo porque possuem aplicações em diferentes setores. Pequenos negócios, organizações sociais, instituições públicas, projetos culturais e empresas precisam produzir vídeos, administrar redes sociais, organizar informações e conversar com seus públicos.

Uma formação inicial nessas áreas pode abrir portas para diferentes trajetórias, da continuidade dos estudos à prestação de serviços e ao empreendedorismo.

Comunicação como espaço de formação

Essa compreensão está presente em iniciativas desenvolvidas pelo IPCOM.

No Curso de Jovens Influenciadores Digitais Ambientais, realizado em parceria com a Estação Itimirim, em Iguape (SP), os participantes entram em contato com diferentes etapas da produção de conteúdo, como pesquisa, elaboração de pautas e roteiros, inteligência artificial, audiovisual, gravação e edição.

A experiência permite que os jovens conheçam diferentes ferramentas e processos da comunicação enquanto desenvolvem conteúdos relacionados ao território onde vivem.

Em um mercado em constante transformação, criar oportunidades para que jovens aprendam a pesquisar, experimentar tecnologias, produzir, comunicar ideias e desenvolver projetos amplia o repertório com que poderão acompanhar essas mudanças e construir seus próprios caminhos profissionais.